Machado de Assis, mestre da capoeira literária

O jogo e jongo da literatura negra

Ronald Augusto, poeta, ensaísta e crítico de poesia, estabelece em seu artigo uma relação entre a escrita de Machado de Assis e aspectos da cultura afrodiaspórica brasileira. Segundo o autor, a dissimulação presente na obra do grande escritor brasileiro pode ser explicada como a transfiguração de um particular modo negro-brasileiro de ser-no-mundo, o jogo da capoeira como forma de filosofia prática.

Luiz Costa Lima propõe essa nova perspectiva há quase trinta anos, ao analisar as crônicas escritas por Machado de Assis para a Gazeta de Notícias. As crônicas, aparentemente frívolas e irônicas, se referem ao autor de Dom Casmurro como “mestre de capoeira”.

Ronald Augusto também se refere à capacidade transfiguradora da ginga verbal do escritor brasileiro.

O artigo levanta questões sobre os termos dessa estética presentes no jongo e mesmo no terreiro relacionados às poéticas e filosofias específicas da diáspora. A noção de dissimulação é apresentada como um processo estruturante das formas de vida e pensamento do negro no Brasil.

Para Henrique Freitas, ela é uma resposta ao panoptismo colonial e está presente não só na capoeira como também na feijoada ou na abordagem encruzilhada dos orixás com os santos católicos.

A linguagem cifrada presente no jongo se estrutura em torno de formulações linguísticas detonadoras da mutação semântica das palavras, criando um espaço de deriva semântica. Esse procedimento de linguagem se enraíza nas contingências históricas em que se formou a cultura dos negros escravizados.

Machado de Assis é apresentado como um mestre do jogo de capoeira, um metáfora de um jogo de corpo que dissimula suas intenções, uma ficção dançante, um pensador que domina a arte da capoeira.

Ele tinha a habilidade de sugerir e dissimular suas palavras, confrontando-se com uma ordenação social opressiva. A literatura negra, enquanto entrecruzamento de linguagens jongueira e capoeirista, é considerada um fenômeno contíguo à literatura-terreiro. A escrita negra ainda contém em si as valências de um corpo entranho dentro do sistema literário tal como é conhecido.

Ronald Augusto conclui destacando que a literatura negra pode ser vista como uma interpretação crítica da tradição literária do ocidente que naturaliza sua branquitude.

Essa perspectiva pode abrir espaço para o redimensionamento do cânone da literatura proclamada universal.

O artigo responde às dúvidas do leitor apontando o contexto histórico em que a cultura afrodiaspórica brasileira surgiu, explicando os termos utilizados no texto e relacionando-os à obra de Machado de Assis. O autor também explora outros aspectos dessa estética presente no jongo e na dissimulação geralmente adotada pelos povos afrodescendentes para sobreviver ao racismo e à opressão.

Notícia Resumo
A relação entre a escrita de Machado de Assis e a cultura afrodiaspórica brasileira O artigo de Ronald Augusto propõe que a escrita da dissimulação presente na obra de Machado de Assis pode ser explicada como a transfiguração de um particular modo negro-brasileiro de ser-no-mundo, o jogo da capoeira enquanto forma de filosofia prática. A noção de dissimulação é apresentada como um processo estruturante das formas de vida e pensamento do negro no Brasil.
Machado de Assis como mestre de capoeira Luiz Costa Lima propõe essa nova perspectiva há quase trinta anos, ao analisar as crônicas escritas por Machado de Assis para a Gazeta de Notícias. As crônicas, aparentemente frívolas e irônicas, se referem ao autor de Dom Casmurro como “mestre de capoeira”. Ronald Augusto também se refere à capacidade transfiguradora da ginga verbal do escritor brasileiro.
A literatura negra como interpretação crítica da tradição literária do ocidente Ronald Augusto conclui destacando que a literatura negra pode ser vista como uma interpretação crítica da tradição literária do ocidente que naturaliza sua branquitude. E essa perspectiva pode abrir espaço para o redimensionamento do cânone da literatura proclamada universal.

Desculpe, não entendi qual é o título da notícia que você gostaria de receber. Poderia me informar novamente?

Katia Rangel Katia Rangel

erente de projetos do portal. Graduada em Letras, tem como missão cuidar da parte técnica do site e garantir que tudo esteja sempre funcionando perfeitamente. Graduada em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Katia Rangel é a gerente de projetos do portal Bienaldolivrojf.com.br.

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